26 de agosto de 2008

Condições Básicas para Produção de Textos

Marta Melo de Oliveira


Geraldi (2003:135) considera a produção de textos orais e escritos “como ponto de partida (e ponto de chegada) de todo o processo de ensino/aprendizagem da língua”, pois é através do texto que a língua se revela em sua totalidade, seja como forma, seja como discurso.
Na práxis da produção de texto, o indivíduo articula o seu conhecimento de mundo comprometido, consciente ou inconscientemente, com a formação discursiva de que faz parte. Ou melhor dizendo, apresenta o já-dito comprometido com a ideologia de sua própria palavra, recriando-o com base na sua articulação individual.
Este compromisso e esta articulação criam a novidade de cada discurso conferindo o estatuto de autoria ao produtor do texto. A partir desta perspectiva, Geraldi (2003:136) estabelece uma distinção entre redação e produção de textos. Redação são textos para a escola e produção de textos são textos produzidos na escola.
Quando o discurso pedagógico orienta o que se deve dizer no texto, condicionando o aluno a repetir as experiências textuais da sala de aula, a reproduzir o já dito pela simples razão de que a escola quer uma aprendizagem padronizada, ou melhor dizendo, uma internalização de modelos com estrutura fixa, a criança produz a redação escolar.
No sentido inverso, quando o professor e alunos se tornam sujeitos que compartilham, em situação dialógica, o ensino/aprendizagem, na sala de aula (as respostas são “respostas” e não verdades a serem memorizadas), temos a produção de texto. Portanto, a partir da escuta real do que o aluno tem a dizer (da aceitação do aluno como locutor/interlocutor), o professor assume-se numa relação interlocutiva como princípio básico para o processo de produção de textos na escola: o aluno/locutor escolhe as estratégias para realizar o que tem a dizer e, conseqüentemente, as operações de argumentação que lhe são familiares para construir o seu texto.
Para fechar esta questão, lembramos que o professor não deve esperar que o aluno faça textos exemplares, dignos de um literato, mas que, como dono de sua palavra dotada de argumentatividade, possa indicar os meios para se chegar a um verdadeiro e efetivo conhecimento da língua, do mundo e de si mesmo, no processo educativo dentro da escola. Que, como dono de sua palavra, possa argumentar consciente de que a linguagem é argumentativa por excelência.
Esta concepção da argumentatividade da linguagem nos leva a considerar a importância da Semântica Argumentativa como suporte teórico para um eficaz ensino de produção de texto.


Referências

GERALDI, J. Wanderley. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

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