2 de agosto de 2008

Mecanismos de Estruturação Textual - Resenha crítica



Marta Melo de Oliveira

A visão a priori que nos orienta é o fato de o texto Mecanismos de estruturação textual de Maria Helena M. Mateus[1] ser objetivamente didático, atendendo ao propósito de ensinar através da estratégia da repetição do conteúdo teórico, que envolve os mecanismos de estruturação textual, bem como pela riqueza de exemplificações que acompanham os conceitos sobre as propriedades que a manifestação lingüística (o que conhecemos por fatores da textualidade) deve possuir para ser um texto.

Só temos elogios para o esforço metodológico realizado por Mateus no sentido de construir um texto argumentativo, pleno de clareza e lógica, que facilita um trabalho de esquematização do conteúdo, caso o desejarmos.

Rastreando o labor literário-didático da autora, podemos anotar o destaque que ela assegura à conectividade, uma das propriedades da textualidade, distinguindo-a em dois tipos - 1. conectividade sequencial ou coesão e, 2. conectividade conceitual ou coerência -, dispensando-lhe um bom número de páginas.

Antes de se aprofundar no estudo dos dois tipos de conectividade, a autora dá umas pinceladas teóricas nas demais propriedades da textualidade, que são: a intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a intertextualidade e a informatividade.

Sobre a coesão textual, a autora explora a estratégia metodológica da esquematização, assegurando ao público-leitor uma compreensão clara do que pretende ensinar. Divide a coesão textual em coesão gramatical (subdividida em coesão frásica, coesão interfrásica ou junção, coesão temporal e coesão referencial) e em coesão lexical (subdividida em reiteração e substituição).

Detém-se em cada tipo de coesão, ampliando os conceitos com a exemplificação bem-elaborada e pertinente a seus objetivos, bem como com o desenvolvimento de novas subdivisões, conforme destacamos na condição da coesão referencial, que se abre em leque expondo os principais processos lingüísticos que lhe dão substância: 1. exofórica ou referência; 2. endofórica ou co-referência, que conforme o caso pode ser uma anáfora, catáfora ou elipse.

Ao tratar do processo lingüístico da substituição (coesão lexical), a autora assinala-lhe os tipos: sinonímia, antonímia, hiperonímia e hiponímia.. E sempre, mesmo ousando cometer o erro da redundância, a conceituação de cada processo é alargado por bons exemplos, facilitando ao público-leitor a aprendizagem.

Após focalizar nitidamente a conectividade conceitual ou coerência textual, Mateus, ainda dentro da teoria dos mecanismos de estruturação textual, encara o texto do ponto de vista cognitivo para falar da estrutura temática e estrutura informacional. Isso nos faz lembrar de uma frase do ensaísta Eduardo Portella:

O tema exige uma perspectiva, condiciona a perspectiva, condiciona o método. E é naturalmente condicionado por ele[2].

Sobre a estrutura temática, a autora aborda a seleção modalizadora do texto para se compor em tópicos (assuntos) e, sobre a estrutura informacional levanta a questão do modo de distribuição das informações (comentários -introdução de elementos cognitivos pertinentes ao universo de conhecimentos e suposições compartilhados pelos intervenientes na produção e interpretação de um dado texto e introdução de novos elementos cognitivos). As duas estruturas estão profundamente ligadas entre si.

A coerência textual é dependente da relevância do elementos cognitivos fornecidos pelo comentário acerca do tópico. E, também, do modo como funciona a sua progressão temática, o que significa a constante retomada do mesmo tópico discursivo no bojo do texto.

Mateus distingue os tópicos em discursivos e frásicos. Os tópicos discursivos funcionam como sendo o assunto das seqüências textuais. E os frásicos, como o tópico (assunto) de uma frase. Esses estão limitados a expressões bem determinadas para que o seu referente seja reconhecido pelo locutor como pelo alocutário, como por exemplo os dêiticos.

Propomos, para finalizar, que convém sempre que possível relermos este texto em todo o seu desenvolvimento, redescobrindo-lhe a intencionalidade didática para passar enfim à sua realização objetiva em sala de aula.



[1] MATEUS, Maria Helena Mira et alli. "Mecanismos de Estruturação Textual" in Gramática da Língua Portuguesa. Coimbra: Livraria Almedina, 1983, cap.7, p.185-216 .

[2] PORTELA, Eduardo. Literatura e Realidade Nacional. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2ª ed., 1971, p.60.

Um comentário:

  1. Conjuntura de texto apresenta ao público leitor interessado no estudo da Língua Portuguesa e em interessado em renovar as suas práticas questões, relativas ao estudo em foco por meio de texto, visto que se o texto atualmente, é imoortante, no futuro, devido à modernidade que avança, de modo veloz, terá maior relevância, pois o estudo por meio de textos demonstra embasamento lingüístico que exige o ângulo da compreensão, da praticidade, contribuindo para que o leitor se torne um agente ativo, capaz de ler, compreender e produzir em seu cotidiano.
    As questões são trabalhadas nos percursos textuais, ou seja, inseridas nos textos, acontencendo comentários acerca destes e exercícios, produzindo um estudo compreensivo e pragmático, evitando uma análise isolada, superficial e classificatória.
    Desse modo, este livro visa contribuir com o estudo da Língua Portuguesa, servindo como instrumento para todos que estejam empenhados no aludido ensino.


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